Virgindade - Parte V

Cecília continuou sentada, esperando por sua amada, que caminhava indecisa até o bar, para contar tudo o que acontecera à sua amiga, Lúcia. Estava se sentindo feliz e um pouco estúpida pelas coisas que fizera. Por um instante pensou em sair de lá e não aparecer mais na vida de Eliza, esquecê-la, procurar por alguém da sua idade, mas logo desistiu pois se sentia muito apaixonada e acreditava em tudo o que Eliza lhe falava.

Chegando ao bar, Lúcia logo abordou a amiga:

- Aonde estava? O que aconteceu? Estava muito preocupada com você...

- Eu reconheci a garota que roubou o seu celular, estava ali fora conversando com ela.

- Como assim? A conhece de onde?

- Ah, uma longa história da minha vida, mas não se preocupe, você pegou o celular, né?

- Sim, ela deixou em cima do balcão antes de vocês saírem daquele jeito.

- Olha, eu preciso levar aquela pivete para casa, me desculpe te deixar aqui sozinha, mas ela está perdida, coitada.

- Como assim “coitada”? Ela é uma mini criminosa!

- Eu sei, por isso vou levá-la para casa... tenho dó porque tem problemas na família e eu prometo que vou ter uma boa conversa com ela.

- Essa história está muito estranha, mas tudo bem. Vai lá. Posso te ligar depois?

- Claro, obrigada e desculpa por tudo.

Por alguns segundos, Eliza vislumbrou aquele belo corpo que sempre lhe deixava excitada e quase desistiu de ir com a garota, para poder passar mais algumas horas ao lado dela, mas estava empolgada demais por ter reencontrado Cecília e os pensamentos luxuriosos com a menina “quase virgem” não davam descanso à sua cabeça.

Despediram-se com um longo e caloroso abraço.

*

Já na porta de entrada do apartamento de Cecília, Eliza hesitou:

- Seu irmão não está em casa? Acho que ele não ia gostar de me ver aqui.

- Não, ele foi pra praia com uns amigos idiotas. Não volta tão cedo, ainda bem.

- Por que você roubou só o celular da minha amiga e não pegou dinheiro nem nada?

- Eu queria tanto um celular igual àquele, quando vi ali, na mesa, nem pensei antes de pegar para mim.

- Mas isso não pode, Cecília... isso é crime! Alguém podia ter chamado a polícia e à uma hora dessas, já estaria presa... você não pensou nisso?

- Ah, linda, não vamos falar disso justo agora, não é? Vamos subir. – falou segurando a pelo braço e a levando para o apartamento.

Abriu a porta e Eliza se assustou com a cara maliciosa da garota. Não conseguiu resistir quando a viu tirando a blusa e o sutiã e deitando-se na cama. Foi para cima sem nem pensar, beijando-lhe os seios com força e arrancando as roupas que ainda restavam em seu corpo.

Eliza a tinha nas mãos como na primeira vez. A penetrou da mesma maneira e olhava fixamente para o rosto dela, os olhos, que estavam fechados de prazer. Sentia o gozo escorrer por entre seus dedos e desceu para chupar. Cecília gemia alto, sem medo de que algum vizinho pudesse ouvir. Eliza sugava aquela menina-mulher, que apertava a sua cabeça contra a vagina e gozava mais uma vez.

- A menina cresceu. – disse Eliza se aproximando e deitando-se ao lado dela na cama pequena.

- E você adorou.

Nada respondeu. Ficou apenas olhando a menina. Até que as duas pegaram no sono.

continua...

Virgindade - Parte IV

Eliza foi andando devagar para o bar pois tinha medo do que estava por vir. Era corajosa até certo ponto. Olhou para trás e viu Lúcia levantando da mesa e caminhando na sua direção. Disse, baixinho:

- Deixa comigo, eu resolvo isso, volte para a mesa, pode ser perigoso.

- Eu vou com você, o celular é meu e você não tem nada a ver com isso…

Foram de mãos dadas até o bar e uma menina magra as chamou a atenção. Sentaram-se naqueles bancos altos, esperando por algum movimento. Desconfiavam da garota.

De repente, a menina colocou o celular em cima do balcão, olhou para as duas e saiu, passando calmamente por todas as pessoas que ali dançavam.

- Ei, venha aqui. Cecília, eu te reconheci!

E a garota que antes se mostrara calma, agora ficou extremamente nervosa e saiu correndo pela porta da festa.

- Segurem essa menina!

Eliza estava tão desesperada, correndo atrás de Cecília, que nem se deu conta que Lúcia tinha ficado no bar, esperando-a voltar.

- Cecília, vem aqui, vamos conversar, só conversar, eu prometo! – gritou Eliza.

A garotinha imediatamente parou de correr e entrou por uma rua escura e vazia. Achou uma praça velha e abandonada e sentou-se num banco. Eliza chegou, a olhou, ficou emocionada por ver aquele rosto tão lindo e jovem depois de tanto tempo e sentou-se ao seu lado, repousando, delicadamente, a mão sobre a sua perna.

- Quem diria…

- O que aconteceu com você? Por que sumiu de casa? Não quis mais saber do meu irmão, nem de mim?

- Achei que a situação estava complicada demais para nós e, mesmo que não quisesse, decidi sair da sua vida, mesmo pensando em você todos os dias…

- Eu também penso muito nisso. Depois daquela noite fiquei muito doente. Não comia, não dormia, não fazia nada direito. Meu irmão até tentou me levar ao médico, ao psicólogo, mas não queria. Eu só pensava em você, Eliza.

Abraçaram-se longamente. E do abraço logo nasceu um beijo apaixonado e quente.

- Fica comigo esta noite? – disse Cecília

- Não posso, estou com a minha amiga na festa, não posso deixá-la assim, sozinha.

- Ela é só sua amiga mesmo? Vi quando andaram de mãos dadas até o bar.

- Sim, é minha amiga. Amiga antiga, de infância.

- Sei… tudo bem, vai lá, eu vou para a minha casa.

- Não, espera aqui. Eu vou falar com ela. Explico a situação, conto de nós e digo que vou te acompanhar até a sua casa, tá bom assim?

- Como assim “conto de nós”?

- Conto que você é uma guria muito endiabrada e que precisa levar umas palmadas! – disse Eliza, abraçando a garota e beijando-lhe o pescoço.

Cecília só conseguia rir, estava atordoada por ter encontrado aquela que lhe proporcionou prazer e dor em uma só noite.


continua...

Virgindade - parte III

21h30min

Lúcia hesitou em buscar Eliza - havia ficado realmente assustada com o conteúdo do bilhete, já que não esperava isso da amiga. E, ao mesmo tempo, sentiu-se inquieta, eufórica.

O que será que ela quer comigo?

Ligou o carro e foi buscar a velha amiga, que já lhe esperava na calçada da esquina de sua casa.

- Boa noite. – disse Lúcia, num ar seco e inseguro.
- Boa noite, tudo bem com você?
E cumprimentaram-se com um beijo no rosto.
- Tudo certo, vamos?
- Vamos.

No caminho, um silêncio quase absoluto no carro. O constrangimento tomava conta da situação, mas Lúcia decidiu quebrar o gelo:
- Gostou do meu vestido?
- Ah, claro, você fica linda de qualquer jeito.
- Obrigada, você também. Está com uma cara boa, mais animada do que no supermercado.
- É, acho que agora estou conseguindo me reerguer… Obrigada por ter me convidado para sair, eu precisava. De verdade.

Chegaram à festa. Era um lugar estranho, uma rua deserta e o evento aconteceria no porão de uma casa antiga.
Lúcia entrou, passando por todas as pessoas vestidas de vermelho e Eliza a acompanhou, pegando na sua cintura, já que tinha medo de se perder no meio da multidão.
Entraram numa sala escura, com apenas algumas luzes e almofadas, além de muitas mesas, um bar, uma pequena pista de dança no meio e uma banda num palco improvisado no canto do salão. Havia muita fumaça e algumas pessoas, já bêbadas, dançavam ao som de um samba rock daqueles bem antigos.
Pegaram uma mesa no canto oposto ao da banda, que não parecia muito animada e experiente.

- Me diga, Lúcia, por que viemos aqui? Olha, estou me sentindo um peixe fora d’água, não sabia que precisava vir de vermelho. Sou a única de roupa preta neste lugar!
- Não se preocupe, minha amiga. O povo daqui é tão louco que nem vai perceber a cor de sua roupa. Está calor, né?
- Já volto, vou ao banheiro.

Eliza saiu de lá pois sentiu que precisava pensar sobre tudo sozinha. Entrou no banheiro, se olhou num espelho sujo e começou a conversar com o seu reflexo distorcido:
Não sei por que estou aqui com ela, devo ser mesmo muito idiota... Mas ela é tão linda! Não sei o que está acontecendo comigo. Maldita! Sinto tesão só de olhar para ela… e agora?

- Vá até lá, sua boba! Converse com ela, pare de ser covarde!
- Quem é você?!
- Oi, meu nome é Cristina, mas pode me chamar de Cris. Não pude deixar de ouvir o que estava falando, desculpa, mas também não posso deixar de dizer que te achei linda e que se ela não quiser nada contigo, procure por mim perto do bar, ok?
Eliza saiu rapidamente do banheiro, tinha tanta coisa em sua cabeça… Foi conversar com a amiga.
- Acredita que eu estava no banheiro e uma tal de “Cris” veio falar comigo? Um papo estranho… Que cara é essa, aconteceu alguma coisa?
- Roubaram o meu celular.
- Como assim, quem foi?! Pegaram da mesa? Você viu?
- Não, fui pegar outra bebida e quando voltei apenas o celular havia sumido. Engraçado que o dinheiro, a bolsa, tudo estava intacto. Que merda, paguei caro nele.
- Vou procurar para você.
- Não precisa…
- Espera, vou ligar.
Tocou uma, duas, três, na quarta vez uma voz feminina atendeu mas demorou a dizer algo além do:
- Alô?
- Quem tá falando?
(silêncio)
- Me responda!
- … Olha, eu juro que não foi por mal…
- Espera aí, sua voz não me é estranha…
- Me encontre no bar que eu devolvo o que peguei, mas prometa que não vai fazer nada.
- Tá.
- Prometa!
- Prometo.

continua…
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